25 de outubro de 2009

mensagem olímpica

quando o telefone tocou no meio da noite Sérgio Cabral pensou que ainda estava sonhando. A sexta-feira foi de muita festa, ele tinha acabado de dormir mas resolveu atender assim mesmo.

- Cabralzinho, é o seu xará, Sérgio Bernardes. Você não imagina a festa aqui no céu com a escolha do Rio pra sediar as olimpíadas. Vinícius ta cantando até agora, Tom já escreveu várias músicas e disse que vai psicografar aí pra baixo. Até o JK e o Lacerda estavam se abraçando mais cedo. Você sabe, o Lacerda nunca perdoou o JK por tê-lo passado pra trás várias vezes mas o que ele realmente nunca aceitou foi o governo ter se mudado pro planalto central e ter deixado o Rio esvaziado. Agora a olimpíada devolve ao Rio seu lugar de destaque. Você não deve ter percebido Cabralzinho mas tem muito paulista de sorriso amarelo hoje. Aqui do lado o Ulisses, o Covas e o Montoro estão sem entender o sucesso do Lula.

-Olha Cabralzinho, a gente aqui em cima não se cansa de comemorar o nó que o Lula deu em todo mundo. Se já não bastasse botar as asinhas de fora lá em Honduras, "o cara" me arrasta o Obama para Copenhagen só pra ganhar dele, dos japoneses e dos reis da Espanha. O Nelson Rodrigues (que como eu também te carregou no colo) me disse que só em 58 viu um momento assim. A copa, as olimpíadas e esse tal de grau de investimento enterram de vez o complexo de vira-lata.

- Agora quando acabar a ressaca Cabralzinho, aproveita o que lhe resta de mandato e a alegria do povo e faz a coisa certa: concurso público pra todas as obras do Rio 2016. Dá tempo, mas tem que começar no seu mandato. Esse prefeito ai sei não, não me parece muito fã de concorrência pública, nem o Nuzman. Só você pode fazer isso Cabralzinho. Conversa com a Dilma e anuncia que todas as obras vão ser baseadas em concurso. Acerta isso com ela, vocês vão ter de trabalhar junto nisso. Enterre de vez as suspeitas levantadas em torno do Panamericano que vão se repetindo igualzinho na copa. O Bohigas fez isso em Barcelona e deu super certo, os coreanos também em Seoul. Assim você pega os projetos que vão servir melhor à cidade depois das olimpíadas. A inserção deles na malha urbana é fundamental. O Dr. Lúcio tá aqui todo feliz que a Barra vai ganhar densidade e quem sabe até transporte público decente.

-Depois de escolhidas as melhores propostas a turma de consultores vem e acerta os detalhes de programa. Isso evita que gente que não entende nada da cidade venha a fazer obras importantíssimas que vão ficar lá por décadas (arquitetura não se desmonta Cabralzinho, apesar de todos os meus esforços de uma vida nesse sentido). E evita também que os amigos dos governadores façam os projetos como está acontecendo com os estádios para a copa.

-Mas faz isso rápido Cabralzinho porque ano que vem tem eleição e com o Fluminense e o Botafogo na segunda divisão a turma vai estar preocupada com outras coisas....

por Parede de Meia

22 de outubro de 2009

Eduardo Afonso Reidy

























Filme sobre a trajetória de Reidy e sua contribuição para a construção da paisagem urbana do Rio de Janeiro sob a perspectiva de uma utopia com capacidade de ação no mundo real.

Mostra Internacional de Cinema.
28/10 - quarta
Espaço Unibanco Artplex 1, às 21h30, com debate após a sessão
30/10 - sexta
Matilha Cultural, às 16h
01/11 - domingo
Espaço Unibanco Artplex 5, às 20h50

21 de outubro de 2009

paleta






















Muito útil para os arquitetos!
Paleta de cores para qualquer imagem. 

8 de outubro de 2009

jardim suspenso da babilônia



































Cidade desenhada pelos habitantes.

Di Cavalcanti


















O projeto XMoradias das meninas do Grão Imagem, deixou escapar essa curiosidade.

1 de outubro de 2009

Rem Koolhaas veste Prada.




Espaço cênico da Prada by OMA.

2 de setembro de 2009

“gosto ou não gosto”




Quando participamos de um concurso, temos liberdade total de criação, sem a interferência do cliente. É o momento em que você pratica, tem a liberdade de responder.
No mês de agosto, foram divulgados os projetos para o concurso da nova sede do MIS em Copacabana. O concurso foi “fechado” e antes mesmo de avaliarmos os critérios, já tínhamos o resultado. As propostas foram decepcionantes, como se o projeto fosse isolado da paisagem urbana, tá bom que não é fácil ser regionalista em frente a praia de Copacabana, mas de onde foram tiradas as referências brasileiras desses arquitetos?
Dentre os participantes, o projeto vencedor - Diller Scofidio + Renfro – realmente mostrou a melhor implantação e relação urbana, mas me deu a impressão de dejá vu, aquelas rampas retorcidas são bem semelhantes com a Biblioteca de Jussieu de Rem koolhaas, tem também uma semelhança com o projeto original de Alvaro Siza para o museu do Iberê Camargo em Porto alegre.
A exemplo da Cidade da música, fica a impressão de um edital mal elaborado, um local desnecessário e mais uma tarefa árdua para nós, arquitetos.

16 de agosto de 2009

Bico calado. Muito cuidado. Que o homem vem aí.


Os passáros resolveram ficar em silêncio, suas asas foram cortadas. Estão prontos para viver livremente.

10 de agosto de 2009

a força do pensamento


De tempo em tempo a bienal nos força parar para pensar sobre a arquitetura.

8 de agosto de 2009

só nos resta torcer


O auto-intitulado “Time de arquitetos da Copa” publicou uma "carta aberta" à sociedade, exigindo respeito aos seus projetos. Enquanto isso, notícias na imprensa e relatórios do TCU colocam em dúvida a legalidade dos processos de contratação dos projetos para a Copa 2014. Diante deste cenário, diversos arquitetos e urbanistas assinam a "Carta aberta aos organizadores da Copa 2014", na qual solicitam esclarecimentos e demandam transparência nos procedimentos de seleção e contratação dos projetos.

30 de julho de 2009

Recado para Oscar

o telefone tocou no meio da noite e ele atendeu rapidamente, saltando da cama como se um século não pesasse nos ombros nem nas pernas. Do outro lado da linha uma voz conhecida mas que ele não ouvia a mais de 15 anos.
- Oscar?
- Sim, sou eu, quem fala?
- É o Roberto, Roberto Burle Marx. Quanto tempo hein Oscar? Nunca pensei que ia demorar tanto pra você vir pra cá. Olha, desculpa o mau jeito de te ligar assim no meio da noite. É que essas conversas só funcionam quando vocês vivos estão meio dormindo meio acordados. Olha Oscar, nós andamos conversando muito sobre você nos últimos anos. Impressionante como os anos passam depressa aqui, acho que diante da eternidade tudo fica minúsculo..... mas sobre isso a gente conversa depois quando você chegar. O Lucio foi contra, acha que você não vai ouvir, mas o resto do pessoal me pediu pra te dar o recado. É o seguinte, nós estamos todos preocupados com o que você anda fazendo atualmente. Cada prédio mal detalhado, mal construído. Para Oscar. Para e vai curtir as homenagens que você merece. Vai desenhar suas mulheres curvilíneas e para de desenhar esses prédios com curvas sem sentido. Se for por dinheiro arruma um jeito de vender seus desenhos. O Corbusier fez isso quando viu que seus projetos já não tinham a mesma força. Eu também passei a pintar mais e projetar menos quando percebi que os jardins já não saiam com a mesma vivacidade. E com esses prédios sem graça você está arruinando a sua biografia Oscar. Aquele moço do New York Times escreve muita bobagem mas acertou na mosca em 2007 quando disse que você estava vivendo o suficiente para estragar sua própria obra. O Charles Moore ficou muito meu amigo (não sei como não o conheci antes, um amor o Charles) e sempre fala do arrependimento de fazer aquela Piazza di Italia em New Orleans. Uma pracinha a menos e a obra do Charles ficaria muito mais íntegra. Você já acumula uma dezena de “piazzas” Oscar e ainda quer fazer uma grande bem no meio do eixo monumental! Já não basta enfiar um auditório no meio da Casa do Baile, aquela biblioteca sem livros em Brasília ou esse Centro Administrativo no caminho de Confins. Aliás, passa em Confins pra você lembrar a beleza do detalhamento do Milton. Se você ainda tivesse gente como o Milton ou o Lelé pra detalhar seus esboços.... Você não precisa disso Oscar, já é de longe o mais importante arquiteto das Américas no século XX (o Frank tá aqui resmungando mas pra começar ele nasceu no século XIX). Desenhe Oscar. Escreva Oscar. Esse negócio de arquitetura dá trabalho demais e quando feito as pressas fica muito ruim. Olha, tá todo mundo mandando um abraço e dizendo pra você demorar bastante. Na verdade a gente morre de inveja da sua longevidade (e alguns do seu talento).

algum tempo depois ele acordou e foi se vestir. Ia receber muita gente no escritório para mostrar mais um projeto (desenhado ontem) para mais um político enraizado nas idéias e nas formas do século passado.

* texto escrito por Fernando Lara - parede de meia.

23 de julho de 2009

majestade


4.
Poucos anos atrás, surpreendido por um pesado aguaceiro, com umas duas horas à toa depois de esperar por um amigo que acabou não aparecendo para almoçar, fui me abrigar num prédio de granito e vidro fumê na Victoria Street, em Londres, sede da filial do McDonald's em Westminster. O clima dentro da lanchonete era solene e concentrado, Os clientes comiam sozinhos, lendo jornais ou olhando para os ladrilhos marrons, mastigando com uma severidade e rispidez que fariam a atmosfera de uma estrebaria parecer sociável e bem-educada.
O ambiente servia para tornar absurdos todos os tipos de idéia: que os seres humanos podem às vezes ser generosos uns com os outros sem esperança de receber alguma coisa em troca; que os relacionamentos ocasionalmente podem ser sinceros; que a vida talvez valha a pena suportar... O verdadeiro talento da lanchonete estava na geração de ansiedade. A luz dura, os sons intermitentes de batatas congeladas mergulhando em bacias de óleo e o comportamento frenético dos funcionários no balcão convidavam a se pensar em solidão e na falta de sentido da existência num universo violento e caótico. A única solução era continuar comendo numa tentativa de compensar o desconforto provocado pelo cenário.
No entanto, a minha refeição foi perturbada pela chegada de uns trinta adolescentes finlandeses louros e altíssimos. O choque de se verem tão ao sul e de trocar a neve glacial por uma simples chuva os havia deixado extremamente bem-humorados, o que eles expressavam abrindo as embalagens dos canudinhos, cantando alto e pulando nas costas uns dos outros - deixando confusos os funcionários da lanchonete sem saber se deveriam condenar tal comportamento ou respeitá-lo como uma promessa de apetites vorazes.
Levado pelos volúveis finlandeses a encerrar às pressas a minha visita, desocupei a mesa e saí para a praça logo ao lado, onde notei pela primeira vez as formas bizantinas incongruentes e grandiosas da Catedral de Westminster, o seu campanário em tijolos brancos e vermelhos erguendo-se 87 metros nos céus nevoentos de Londres.
Induzido pela chuva e a curiosidade, entrei num saguão cavernoso, mergulhado num breu contra o qual milhares de velas votivas se destacavam, as chamas douradas tremeluzentes sobre mosaicos e representações entalhadas da Via Sacra. Havia cheiros de incenso e sons de preces murmuradas. Pendendo do teto, no centro da nave, um crucifixo de dez metros de altura, com Jesus de um lado e sua mãe do outro. Em torno do altar principal, um mosaico mostrava Cristo entronizado nos céus, rodeado de anjos, os pés descansando sobre um globo, as mãos segurando um cálice transbordando com o seu próprio sangue.
O alarido superficial do mundo externo dera lugar ao deslumbramento e ao silêncio. As crianças ficavam perto dos pais e olhavam em volta com um ar de intrigante reverência. Os visitantes instintivamente sussurravam, como se imersos num sonho coletivo do qual não desejassem emergir. A anonimidade da rua havia se subordinado a um tipo peculiar de intimidade. Tudo que é sério na natureza humana parecia ter despertado: pensamentos sobre limites e infinitude, sobre impotência e sublimidade. O trabalho de cantaria dava relevo a tudo que era acomodado e monótono, e inspirava um desejo de estar à altura da sua perfeição.
Depois de dez minutos na catedral, uma série de idéias que seriam inconcebíveis do lado de fora começaram a assumir um ar de sensatez. Sob a influência do mármore, dos mosaicos, da escuridão e do incenso, parecia totalmente provável que Jesus fosse o filho de Deus e tivesse caminhado sobre as águas do mar da Galiléia. Na presença das estátuas de alabastro da Virgem Maria, em contraste com as seqüências regulares de mármores vermelhos, verdes e azuis, deixava de ser surpreendente pensar que um anjo pudesse a qualquer momento descer, atravessar as densas camadas de nuvens sobre Londres, entrar por uma janela na nave, tocar um trompete dourado e anunciar em latim a iminência de um evento celestial.Idéias que pareceriam loucura a quarenta metros dali, na companhia de um grupo de adolescentes finlandeses e bacias de óleo para fritura, tinham conseguido - por obra da arquitetura - adquirir suprema importância e majestade.
* trechos do livro arquitetura da felicidade, de alain de botton.

14 de julho de 2009

7 de julho de 2009

caminho.



Recebemos a chave e ouvimos apenas as seguintes palavras:
Novo – Radical – Curioso
E assim começou a transição para o novo projeto, mal sabia o cliente que nosso trabalho só se manifesta verdadeiramente nesse clima de liberdade absoluta. (tá bom, vai! os limites “custos x prazos” foram impostos).
Valendo se dessas definições, concluímos que o projeto deveria inspirar confiança e assim partimos com essa fantasia inquieta.
O espaço reinventado deixou bem para claro para o querido cliente, quem ele realmente pode ser.